A maioria das pessoas tem seguros demais ou de menos. Raramente a quantidade certa.

Você provavelmente tem o seguro do celular que nunca usou, o seguro viagem que comprou há anos, e talvez um seguro de vida que o banco "ofereceu" quando você fez o financiamento imobiliário. Mas você tem plano de saúde? Tem seguro de vida se tem filhos?

O problema não é ter seguros. É ter os errados — e não ter os certos.

O princípio base — antes de falar em produtos

Existe uma regra simples que clarifica tudo: segure aquilo que você não consegue repor financeiramente.

Se o seu celular quebra e você perde R$ 3.000, dói — mas não vai destruir sua estabilidade financeira. Se você tem um acidente grave e fica 3 meses sem trabalhar, ou se morre deixando filhos dependentes, o impacto financeiro é devastador.

É para isso que servem os seguros. Não para proteger objetos. Para proteger sua capacidade financeira quando algo verdadeiramente grave acontece.

Os 4 seguros verdadeiramente essenciais

1. Plano de saúde

O SUS é um direito. Mas quem já esperou meses por uma consulta especializada sabe suas limitações. Um plano de saúde não precisa ser o mais caro — há opções individuais no Brasil a partir de R$ 200-400 mensais que cobrem consultas, exames e pequenos procedimentos.

Para uma família, o plano de saúde é provavelmente o seguro com melhor custo-benefício que você pode ter.

2. Seguro de vida (se você tem dependentes)

Se ninguém depende de você financeiramente — não tem filhos, não tem parceiro sem renda própria, não tem pais que você sustenta — o seguro de vida pode ser dispensável.

Mas se pessoas dependem do seu salário para viver, o seguro de vida é insubstituível. Ele cobre: a renda que sua família perderia se você morresse, o pagamento do financiamento imobiliário, a educação dos filhos.

QUANTO VOCÊ PRECISA

Uma regra prática: o capital segurado deve ser pelo menos 10x o seu salário anual. Se você ganha R$ 60.000 por ano, um seguro de vida com capital de R$ 600.000 é o ponto de partida. No Brasil, esse valor pode custar entre R$ 50 e R$ 150 mensais, dependendo da sua idade e saúde.

3. Seguro residencial

Se você tem financiamento imobiliário, geralmente é obrigatório. Mas mesmo sem financiamento, protege sua casa contra incêndio, enchente e danos estruturais. A sua casa é provavelmente seu ativo mais valioso — faz sentido protegê-la.

4. Seguro do carro

O DPVAT (ou seu equivalente atual) e a responsabilidade civil são obrigatórios. Para carros mais antigos com baixo valor de mercado, o seguro básico pode ser suficiente. Para carros com valor acima de R$ 30.000 ou com financiamento ativo, um seguro com cobertura de danos próprios faz sentido.

Os seguros que você pode dispensar (ou reduzir)

Seguro do celular

Custa tipicamente R$ 30-60 por mês — R$ 360-720 por ano. Se o seu celular custa R$ 2.500, em 3-4 anos você paga o equivalente ao valor do aparelho. E normalmente há tantas exclusões na apólice que o seguro raramente compensa.

Alternativa: poupe esses R$ 50 por mês num fundo específico para substituição de equipamentos.

Garantia estendida em eletrodomésticos

Raramente vale o que custa. A maioria dos eletrodomésticos não quebra durante o período de garantia estendida. E quando quebram, o conserto muitas vezes custa menos que a soma das mensalidades pagas.

Seguro viagem para viagens curtas no Brasil

Para viagens dentro do Brasil, o SUS cobre atendimentos de urgência em qualquer estado. Um seguro viagem adicional pode ser redundante — especialmente se você já tem plano de saúde com cobertura nacional.

Como escolher seguros sem gastar demais

Nunca aceite o primeiro orçamento. Compare pelo menos 3 seguradoras. Plataformas como Minuto Seguros, Bidu ou Porto Seguro Online permitem comparar online em minutos.

Revise seus seguros uma vez por ano. Suas circunstâncias mudam — o que era essencial aos 25 anos pode não ser aos 40, e vice-versa.

E lembre-se da regra base: se você consegue absorver a perda financeiramente sem destruir sua estabilidade, não precisa de seguro. Se não consegue — segure.

"Um seguro não é um gasto. É a certeza de que um azar não vira uma catástrofe financeira."
O livro completo

O seu Dinheiro Trabalha por Ti

Um guia direto, honesto e prático para quem quer começar do zero — orçamento, dívidas, poupança e investimento.

Ver o livro → Disponível na Amazon · €3,99 ebook