Toda a gente tem seguros a mais ou seguros a menos. Raramente a quantidade certa.

Tens o seguro do telemóvel que nunca usaste, o seguro de viagem que compraste pela última vez há 3 anos, e talvez um seguro de vida que o teu banco te "ofereceu" quando fizeste o crédito habitação. Mas tens seguro de saúde? Tens seguro de vida se tens filhos?

O problema não é ter seguros. É ter os errados e não ter os certos.

O princípio base — antes de falar em produtos

Existe uma regra simples que clarifica tudo: segura aquilo que não consegues repor financeiramente.

Se o teu telemóvel parte e perdes 800 €, é doloroso — mas não vai destruir a tua estabilidade financeira. Se tens um acidente grave e ficas 3 meses sem trabalhar, ou se morres e deixas filhos dependentes, o impacto financeiro é devastador.

É para isso que servem os seguros. Não para proteger objetos. Para proteger a tua capacidade financeira quando algo verdadeiramente grave acontece.

Os 4 seguros verdadeiramente essenciais

1. Seguro de saúde

O SNS é um direito e um bem precioso. Mas quem já teve de esperar meses para uma consulta de especialidade sabe as suas limitações. Um seguro de saúde privado não precisa de ser caro — há opções em Portugal entre 15 e 40 € mensais que cobrem consultas de especialidade, análises e pequenas cirurgias.

Para uma família, o seguro de saúde é provavelmente o seguro com melhor relação custo-benefício que podes ter.

2. Seguro de vida (se tens dependentes)

Se ninguém depende de ti financeiramente — não tens filhos, não tens parceiro sem rendimentos próprios, não tens pais que sustentas — o seguro de vida pode ser dispensável.

Mas se tens pessoas que dependem do teu salário para viver, o seguro de vida é insubstituível. Cobre: rendimentos que a tua família perderia se morresses, o pagamento do crédito habitação, educação dos filhos.

QUANTO PRECISAS

Uma regra prática: o capital seguro deve ser pelo menos 10x o teu salário anual. Se ganhas 24.000 € brutos por ano, um seguro de vida com capital de 240.000 € é o ponto de partida. Em Portugal, este valor pode custar entre 15 e 35 € mensais, dependendo da tua idade e saúde.

3. Seguro de habitação (multirriscos)

Se tens crédito habitação, este é obrigatório por lei. Mas mesmo sem crédito, protege a tua casa contra incêndio, inundação, danos estruturais. A casa é provavelmente o teu ativo mais valioso — faz sentido protegê-la.

Atenção: não confundas com o seguro de vida associado ao crédito habitação. São produtos diferentes. O multirriscos cobre a estrutura e conteúdo; o seguro de vida associado ao crédito garante o pagamento do empréstimo se morres.

4. Seguro automóvel

A responsabilidade civil é obrigatória por lei. Para carros mais antigos com baixo valor de mercado, a responsabilidade civil simples pode ser suficiente. Para carros com valor acima de 10.000-15.000 € ou com financiamento ativo, um seguro com cobertura de danos próprios faz sentido.

Os seguros que podes dispensar (ou reduzir)

Seguro do telemóvel

Custa tipicamente 8-15 € por mês — 100-180 € por ano. Se o teu telemóvel custa 600 €, em 3-4 anos pagas o equivalente ao valor do aparelho. E normalmente há tantas exclusões na apólice (danos em ecrã, perda, roubo com condições específicas) que o seguro raramente compensa.

Alternativa: poupa os 10-15 € por mês num fundo específico para substituição de equipamentos.

Garantias estendidas em eletrodomésticos

Raramente valem o que custam. A maioria dos eletrodomésticos não avaria durante o período de garantia estendida. E quando avariam, a reparação muitas vezes custa menos do que a soma das mensalidades pagas.

Seguros de viagem para viagens curtas na Europa

O cartão europeu de saúde (CESD) cobre urgências médicas em toda a UE. Para viagens curtas a países da UE, o seguro de viagem adicional pode ser redundante — especialmente se já tens seguro de saúde privado que cobre internacionalmente.

Como escolher seguros sem gastar demais

Não aceites o primeiro orçamento. Compara pelo menos 3 seguradoras. Em Portugal, plataformas como Comparaja, Fidelidade Direto ou Tranquilidade permitem comparar online em minutos.

Revê os teus seguros uma vez por ano. As tuas circunstâncias mudam — o que era essencial aos 25 anos pode não ser aos 40, e vice-versa.

E lembra-te da regra base: se consegues absorver a perda financeiramente sem destruir a tua estabilidade, não precisas de seguro. Se não consegues — segura.

"Um seguro não é um gasto. É a certeza de que um azar não se torna uma catástrofe financeira."
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